É muito comum as pessoas terem dúvidas sobre o momento ideal em procurar um psiquiatra. Na saúde mental, diferentemente de problemas de saúde física, quando as pessoas facilmente localizam alguma dor ou desconforto, a interpretação dos problemas é mais subjetiva e ampla. Sendo assim, muitas vezes a pessoa não percebe o sofrimento ou prejuízo emocional que vem passando. Seja por desconhecimento ou medo, a resistência em procurar por um psiquiatra é maior e, nesse processo, as pessoas primeiro geralmente recorrem a família, amigos, espiritualidade ou grupos de apoio. Esses são recursos muito válidos de suporte emocional, mas não são suficientes em algumas situações.
Não há regras que nos dizem o momento certo de ir a um psiquiatra. Mas quando alterações no humor, nas emoções e comportamento são muito acentuadas, causando mudanças no estilo de vida, nos interesses pessoais, afetando os relacionamentos, os estudos e o trabalho, um especialista pode ser fundamental para compreender a situação e ajudar da melhor forma possível.
Há muitos sinais de alerta que podem nos orientar a procurar um psiquiatra:
- Grandes mudanças de humor, como tristeza constante, ansiedade, irritabilidade, nervosismo em excesso.
- Preocupação excessiva, acompanhada de crises de ansiedade.
- Ataques de pânico recorrente.
- Perda de prazer e interesse pelas atividades que sempre gostou fazer.
- Alteração do sono, como insônia, com dificuldade em iniciar o sono, ou sono entrecortado ao longo da noite. Sonolência durante o dia, no trabalho, na escola.
- Mudança do apetite, com diminuição do apetite, com perda de peso, bem como aumento acentuado do apetite e sobrepeso.
- Dificuldade de concentração, distraindo-se fácil no trabalho e nas tarefas do dia-a-dia.
- Pensamentos intrusivos, recorrentes, incluindo pensamentos de morte e suicida.
- Comportamento de automutilação, apresentando cortes pelo corpo, com vontade de se machucar e se ferir como forma de aliviar algum sofrimento.
- Uso excessivo de substâncias psicoativas, incluindo álcool e cigarro, como forma de lidar com alguma perda ou situação estressora.
- Dores constantes pelo corpo, cansaço excessivo.
Diante de algum desses sintomas e do prejuízo funcional decorrente deles, uma consulta psiquiátrica pode ajudar a esclarecer melhor a situação. Dessa forma, o psiquiatra conduz uma entrevista clínica direcionada a entender tanto a situação atual quanto a história prévia de vida do paciente, utilizando de uma escuta clínica atenta. Com as informações obtidas durante a avaliação médica e através do exame do estado mental, é possível diagnosticar a presença de algum transtorno mental e indicar o tratamento mais adequado para cada situação.
Como é feita a avaliação do paciente?
O principal instrumento de avaliação do psiquiatra é o exame do estado mental, que engloba tanto aspectos verbais quanto não verbais apresentados pelo paciente durante a consulta. A avaliação começa com o paciente ainda na recepção, pela observação do seu comportamento, das vestimentas, da maneira de andar, da entonação da voz. Quando o paciente começa a se expressar verbalmente, é possível avaliar demais funções psíquicas, tais como a orientação, a atenção, a memória, o humor, o afeto, a sensopercepção, o pensamento e o seu conteúdo, o juízo de realidade e a crítica.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico psiquiátrico é difícil e leva em consideração tanto questões atuais quanto pregressas, da história de vida, da pessoa. É comum que o psiquiatra pergunte sobre sintomas atuais e também sobre a infância, a adolescência, memórias do passado, situações traumáticas, perda de pessoas próximas e queridas, planos e sonhos para futuro. Isso tudo ajuda a estabelecer uma linha do tempo em relação aos sintomas atuais e direcionar a um diagnóstico mais preciso e adequado.
Um dos pilares do diagnóstico psiquiátrico é estabelecer se as questões que a pessoa está passando tem causado prejuízo funcional e nos relacionamentos. Isso quer dizer que nem sempre as mudanças nas emoções e no comportamento são suficientes para fechar um diagnóstico psiquiátrico, o que não quer dizer que essa pessoa não precise de ajuda. Por fim, é importante também excluir outras causas e explicações para os sintomas psiquiátricos, principalmente problemas físicos e orgânicos de saúde, que podem também causar mudanças no comportamento, no pensamento e nas emoções.
Como é o tratamento psiquiátrico?
Através do exame clínico, é possível indicar o melhor tratamento ao paciente, o que pode incluir desde um acompanhamento psicoterápico até o uso de alguma medicação. É importante ressaltar que nem sempre a medicação é a alternativa mais viável, enquanto em outros momentos ela é fundamental, então a conduta é extremamente individualizada para cada paciente.
A ajuda de um profissional pode melhorar acentuadamente a qualidade de vida de uma pessoa. A saúde mental quando levada a sério torna a vida mais leve e prazerosa. Isso significa poder aproveitar melhor os momentos com os amigos, familiares, pessoas queridas, ser mais produtivo no trabalho e ter mais motivação para ir em busca dos próprios desejos.